Postado em: 4 mai 2013
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Começa preparativo para Festa do Pau da Bandeira de Barbalha
Um angico e quatro árvores de jatobá foram marcadas para definição de qual servirá para a festa do padroeiro da cidade. Está prevista para domingo o corte da madeira (Foto: Elizângela Santos)

Um angico e quatro árvores de jatobá foram marcadas para definição de qual servirá para a festa do padroeiro da cidade. Está prevista para domingo o corte da madeira (Foto: Elizângela Santos)

Começa a mobilização para uma das festas religiosas e culturais mais tradicionais do interior nordestino. A Festa de Santo Antônio de Barbalha tem como uma de suas grandes atrações populares o carregamento do pau da bandeira, que é hasteado na abertura dos festejos em frente à Igreja Matriz. Este ano, foram georeferenciadas, no Sítio Flores, cinco árvores de grande porte, um angico e quatro jatobazeiros, que deverão servir de mastro da bandeira, transportado por centenas de homens por cerca de 6 quilômetros. Mas há discussões relacionadas à sustentabilidade da tradição e às condições ambientais, para a retirada da árvore. No domingo, o tronco deverá ser retirado, mas a data ainda não foi oficializada pela Secretaria de Cultura e Turismo da cidade.

Segundo o secretário de Cultura, Antônio de Luna, uma das discussões este ano está relacionada ao horário de chegada do pau da bandeira no Centro da cidade. Os horários, segundo ele, com atrasos que foram à meia-noite, acabam prejudicando a festa. Para isso, será realizada uma reunião entre o poder público e os carregadores do mastro, tendo à frente o capitão, Rildo Teles, para definir a melhor forma do trabalho.

Uma reunião para o georeferenciamento das árvores a ser utilizada foi realizada pelo secretário adjunto do Meio Ambiente, Marcos Maciel, o secretário de Cultura e Rildo Teles, além do radialista Clodoaldo Amaro, puxador do cortejo, a partir do Sítio Flores. A equipe georeferenciou a área, buscando imagens e fazendo o reconhecimento local.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídrico fará um relatório sobre a área visitada, e encaminhará ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), para posterior avaliação das árvores. O capitão Rildo Teles disse que esse georeferenciamento se dá em busca de opções, que devem ser referendadas pelos órgãos ambientais.

O secretário Antônio de Luna disse que já houve um diálogo com o Ministério Público Federal (MPF) e o Instituto Chico Mendes, relacionado a uma nova escolha de árvore, e não as que já foram georreferenciadas no ano passado, no caso dois pau d´óleos, no Sítio São Joaquim, área tradicional de retirada da árvores da festa. A escolha poderá estar associada a uma árvore mais leve, que facilite o carregamento, além de chegar por volta das 17h30, na sede.

A expectativa dos organizadores é que o evento aconteça, favorecendo o público, a imprensa, os turistas e os próprios carregadores. Para o secretário, são eles os grandes protagonistas de um dos maiores espetáculo da cultura popular. Antônio de Luna afirmou ainda que chegou a um diálogo no último dia 14 de março, quando ocorreu um encontro com os carregadores e o capitão Rildo Teles. Foi debatido o assunto coletivamente.

Já o professor Josier Ferreira da Silva, geógrafo e historiador da cidade, defende um debate mais amplo em torno da tradição, das festividade e da própria sustentabilidade em relação à retirada da árvore. Ele ressalta que, nos últimos anos, a questão ambiental tem sido reivindicada como elemento norteador.

O professor chama a atenção para devastação que tem ocorrido em uma das áreas tradicionais de retirada da árvore, no Sítio São Joaquim, mesmo que não seja em função da festa, mas de outras atividades. “É possível compatibilizar a tradição com o meio ambiente equilibrado”, diz ele, ao propor um mapeamento botânico da área, optando por árvores no fim do ciclo de vida. Normalmente, as usadas no ritual são, em média, de 50 a 60 anos. Josier propõe, de uma forma democratizada, a criação de um conselho consultivo de gestão do evento.

O local onde deverá ser retirada a árvore, segundo o secretário de Cultura, não atinge a Área de Proteção Ambiental (APA). Ele afirma que a altitude atinge pelo menos 480 metros. O corte do pau da bandeira acontece cerca de 15 dias antes da abertura da festa. O procedimento é para evitar que grande número de pessoas adentre a mata, causando danos ao meio ambiente.

Em seguida, os carregadores, que acompanham o procedimento, levam o tronco para a chamada “cama do pau”, até o dia da abertura da festa.

FIQUE POR DENTRO

Município virou a “Capital” dos festejos

Barbalha passou a “Capital dos Festejos de Santo Antônio”. A festa, que homenageia o padroeiro do município, é uma das maiores manifestação religiosas e culturais do Nordeste. Todos os anos, durante o mês de junho, as ruas, igreja e casas ficam enfeitadas e a cidade entra em festa, abrindo as portas para receber centenas de visitantes. A celebração é uma das maiores festas juninas do Brasil, reunindo mais 350 mil pessoas. Durante os festejos, 61 grupos folclóricos e outros para-folclóricos desfilam pelo Corredor Cultural de Barbalha. A festa tem início com o dia do Pau da Bandeira, tradição local com mais de 100 anos de existência. Neste dia, o primeiro da Festa de Santo Antônio, os homens devotos vão às cinco horas da manhã em busca do mastro, escolhido na mata dias antes. No ano passado, optaram por um jacarandá de 24 metros e 2,5 toneladas.

Mais informações

Secretaria de Cultura e Turismo de Barbalha
Rua da Matriz, 25
Centro – Cariri
Telefone: (88) 3532.1708

Fonte: Diário do Nordeste

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