Postado em: 27 abr 2013
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Técnica inovadora ameniza efeitos da epilepsia no Cariri
Considerada inédita no Interior do Estado, a cirurgia faz o implante de um estimulador do nervo vago, para pacientes com crises de difícil controle. Expectativa é que chegue ao sistema público de saúde (Foto: Diário do Nordeste)

(Foto: Diário do Nordeste)

Realizadas no Cariri cirurgias inéditas de implante de estimulador do nervo vago (VNS), para pacientes com crises epilepsia de difícil controle. As cirurgias aconteceram no último dia 3 e 24 de abril, com pacientes da própria região que decidiram se submeter ao tratamento inovador, por serem as primeiras do gênero no Nordeste e as únicas no Interior do Estado do Ceará.

O implante do aparelho foi realizado no Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha, pelo médico neurologista Cícero Job Maciel. A luta agora é para que a cirurgia, considerada de alto custo, seja custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme o médico.

 

Ele pretende implementar no Cariri um centro de referência no tratamento da epilepsia nos próximos anos. Mesmo não sendo um procedimento novo no Brasil, que há cerca de dez anos já realiza as cirurgias, o VNS é implantado desde 1997 nos Estados Unidos, de onde o Brasil importa esses pequenos aparelhos que mais parecem com um chip minúsculo, feito com material siliconado, e que passa até despercebido pelo paciente.

Bons resultados

Os efeitos positivos do tratamento chegam a até 70% de reduções das crises, conforme análise com alguns grupos avaliados. Segundo o médico, a primeira paciente a realizar o procedimento é uma auxiliar de enfermagem da cidade de Juazeiro do Norte, de 25 anos, que sofria crises sucessivas. “No momento em que fazia os exames finais para realizar o implante, ela chegou a passar por duas no consultório”, diz Cícero Job.

Ele comemora o resultado do acompanhamento com a paciente, que em oito dias não teve crises. “É um ganho importante, sobretudo para a qualidade de vida das pessoas”, ressalta.

Sintomas

A epilepsia, conforme o médico, causa uma alteração no ritmo de funcionamento do cérebro, por algum tipo de estímulo externo, como uma cisticercose, ou um outro parasita, uma noite mal dormida por excesso de café, stress, mas o grande peso é herança familiar, a hereditariedade. A estimativa de pessoas no mundo com o problema chega a ser de 1% a 2%, isso em países mais avançados.

No Brasil, de acordo com Cícero Job, é mais preocupante, atingindo até 4% da população. Pelo menos 20% dessas pessoas tem epilepsia de difícil controle. Mas, apenas uma parte poderá receber o aparelho. Um dos aspectos positivos relacionados ao implante é a cirurgia relativamente simples e menos invasiva.

O VNS, conforme Cícero Job, tem um trajeto na região do pescoço onde é implantado dois eletrodos, que estimulam o nervo vago. O tratamento veio depois de uma descoberta de que, com o estímulo, ocorre a liberação de várias substâncias, dentre elas a serotonina e a noradrenalina. Em consequência disso, há a redução das crises.

Custo

O investimento para esse tipo de cirurgia é de R$ 50 mil a R$ 100 mil. Essa realidade poderá estar distante para grande parte das pessoas que sofrem com as crises, mas a própria direção do Hospital São Vicente já disponibilizou leitos de UTI e estrutura necessária para a efetivação desse serviço, incluindo no tratamento de crianças. “Infelizmente, se esbarra na questão política, que ainda não ter força suficiente para trazer a cirurgia. Muitas pessoas seriam beneficiadas”, lamenta.

Para Cícero Job, pode até não haver tanto a redução na quantidade das crises, mas a intensidade delas tem uma queda significativa. “Relativamente, na medida em que a gente vai aumentando o estímulo, diminuem as crises”, constata.

Mesmo com os altos custos, ele afirma que em menos de dois anos esse tratamento poderá compensar em relação à quantidade de medicamentos que o paciente toma. A auxiliar de enfermagem estava sendo medicada com quatro tipos de remédios.

O segundo paciente a se submeter ao tratamento, de 26 anos, está em avaliação. Mesmo após uma cirurgia para a retirada de um tumor, as crises não cessaram e veio a alternativa do implante. A juazeirense desde a infância convivia com as crises, de difícil controle. Mesmo com os medicamentos, não estava conseguindo ter uma melhora do quadro. Uma pequena quantidade de estímulos do aparelho estava sendo liberada pelo médico, desde o último dia 3, data da cirurgia, e com bons resultados. Agora, a cada quinzena esse trabalho será feito de forma mais intensa.

Outras intervenções

Mas há outras cirurgias voltadas para a epilepsia. Pelos menos umas oito a nove para o tratamento. A mais utilizada no Brasil é a retirada do lobo temporal, que não precisa inserção de aparelho. “A gente encontra o foco da crise nesse local, e retira o hipocampo”, explica.

Essa é a cirurgia mais comum para os casos de epilepsia, e de baixo custo, mas é a mais agressiva e o paciente está exposto a riscos maiores, podendo ter problemas de fala, por exemplo. “Mas, quando é bem indicada, os resultados são muito bons e o paciente pode ter cura”, diz.

Para o paciente realizar uma cirurgia de implante do VNS, deve suportar uma anestesia geral, ter crises de difícil controle e vários focos de origem das crises no cérebro. Segundo Job, o estimulador nesse caso passa a ser bem indicado.

Mais informações

Cícero Job (neurologista)
Clínica Med Sono
Rua Santa Rosa, 609
Centro – Juazeiro do Norte
Telefone: (88) 3512.3468

Fonte: Diário do Nordeste

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